13.11.11

Adormeça.


Sinta seu sangue correndo nas veias. Porque você está prestes a não senti-lo nunca mais. Por mais que você negue, eu sei todos os seus males. Eu enxergo o mal no seu olhar. Todos podem tentar ajudar, mas sabem que de nada adianta. Sua situação não possui mais volta. Você está acabada. Seu corpo está se dilacerando por dentro. E você já sentiu tanta dor no passado, que agora a única coisa que a dor provoca são cócegas sob seu estômago. Seus olhos, eles não tem mais brilho. Só vejo raiva. Só vejo dor. Só vejo algo que nunca imaginei que você seria. Você acabou se perdendo mesmo estando no caminho certo. Eu sinto muito por você. Sinto pelos seus atos. E até sinto muito pela maneira como tudo isso está acabando. É. Não negue. Vai ser pior para você. Porque no fundo você sabe que tudo isso não tem volta. E que está no fim. Você sempre soube que nem todos os finais são felizes. E foi assim que você terminou. Sinto muito. A tragédia está prestes a começar. Ou terminar. Seu coração está pulsando cada vez mais fraco. Eu consigo sentir, digo, não posso mais nem sentir. Seu passado está sendo revivido em sua memória. Seus olhos estão se fechando. Tudo bem. Durma bem menina, sinto muito por ter feito você passar por tudo isso.

16.10.11

Amanhecer.

A janela da minha vida anda meio embaçada. Faz frio lá fora. Queria eu poder juntar minhas forças e encontrar braços que me aqueçam. Mas eu cansei. Ando meio cansada. Tudo é meio que do nada, meio sem querer, meio sem sentido. Mas entre meios, inícios e finais, a espera ainda é eterna. Faz frio lá fora. E ainda assim, fico na esperança de que o brilho cinza do meu olhar consiga entender pra que lado devo ir. A minha visão ofuscada de alguma maneira ainda consegue enxergar tudo, mesmo que o tudo seja tudo o que faz eu me perder. Mas se perder também é o caminho. Os desenhos que minha mente traça nessa vida continuam sendo linhas duvidosas, linhas sem sentido, linhas que ainda não consegui ler. Esqueço-me de que as coisas podem ser muito mais difíceis que agora. Esqueço-me daquilo que me sufoca. E sem medo, abro a janela e deixo o frio entrar. Deixo o vento mexer cada fio dos meus cabelos. Deixo que a brisa suave me toque. Faz frio lá fora. Mas comecei a acreditar que o frio é um pretexto de que por mais trêmulo que meu corpo esteja, esse é mais um motivo pra eu não deixar de procurar. Mais um motivo pra seguir o caminho eterno até encontrar algo ou alguém que me aqueça. Faz frio lá fora e por isso, eu sigo, eu fujo, eu corro o mais rápido que posso e pra me confortar no calor dos teus braços.

5.9.11

Uma nova melodia.


Sinto-me inerente aos sentimentos, incapaz de sofrer pelo que ainda não passou. Paz. Apenas paz. Lembro-me da tristeza e meio-que-do-nada meus olhos ficam lacrimejantes recordando daquilo que não é apenas fruto de um pesadelo que me fez perder o sono por tantas horas. Me peguei pensando naquilo que não devia, recordando daquelas velhas fitas cassetes que gravei em minha imaginação em momentos em que a solidão tomava de qualquer lugar onde eu habitava. Apesar de tudo, eis que sorrio. Tenho muita sorte. Suponho que relembrar do passado faz com que eu tome um banho de realidade e acorde para aquilo que até então não havia notado.

Tudo está bom. Muito bom. Quanto mais o tempo passa dou-me conta de que tudo que acontece à minha volta não é ruim como aparenta. Ainda sorrio. Porque sei que por mais que haja tempestade, ainda existe um lindo dia ensolarado, sorrindo, esperando pra nascer, pois uma das coisas que eu aprendi e nunca mais esquecer é que por mais que a vida seja dura, o tempo vai apagar aquilo que me feria e tocava cada vez mais as cicatrizes que os erros do passado provocaram.

Antes dos sonhos, a paz não se faz. A paz não se desfaz. A paz é inexistente pelo simples motivo de que você não têm idéia do que irá acontecer daqui a um minuto, uma hora, um dia, um mês, um ano. Você só vive o agora. Sem ter certeza do que te espera na linha de chegada dos sonhos. Ou até mesmo pensa como eu. Acredito que por mais que os sonhos pareçam coisas criadas pela minha cabeça pra eu finalmente acreditar na felicidade, eu espero por eles. Espero pra sorrir pra mim mesma na frente do espelho todos os dias. E perceber que o brilho dos meus olhos nunca vai se apagar enquanto eu acreditar naquilo que realmente quero acreditar.

21.7.11

Andar em branco.


Tentava esconder o que via ao passar por aqueles que certa vez fizeram falta. E passar. Passar reto. Como se não fossem mais ninguém. E não eram. A vida passava correndo ao meu lado, e minha única certeza era que de nada eu sabia. Pois é, a minha maior certeza era a dúvida. E por mais cruel que a dúvida fosse, ela era o único meio que eu possuía para perceber que ainda havia muito caminho pela frente. Ainda há muito caminho pela frente. E apesar desses caminhos, ainda espero que o erro tenha volta. Que o amor seja verdadeiro. Que a amizade não seja falsa. Que a paz seja por completo. E mais que tudo, ainda espero que viver seja para ser feliz.

5.6.11

Ofuscada.


Admirável mundo esse onde a vida me flutua enquanto respiro. Contudo que nada mude, eu continuo a sorrir para meu espelho e acabo encontrando a perfeição. Quão bom seria se os sorrisos fossem valiosos, digo, quão bom seria se isto fosse verdadeiramente verdadeiro. Repentinamente, a vida mostra-me outro lado da moeda, outro lado imperceptível aos olhos dos outros. Abro a janela da certeza e lá só enxergo o que eu já concluía. Nada além de um deserto e um sol que queimava minha retina lentamente. Porém, minhas pernas se entrelaçaram entre si, como se não quisessem voltar. Mas eu queria. E queria mais que tudo. Lutei com todas as minhas forças, mas quando retornei todas as minhas páginas estavam amassadas. E foi então que eu enlouqueci. Continuo enlouquecendo. Não sabendo mais pra que lado ir, ou pra que lado chegar. Fico um tempo pensando em meu estado inevitável. Pra onde foi que a vida me levou, afinal? De nada sei. Fico pensando em formas e várias formas de encher esse buraco que surge em mim. Mas aí então, acontece algo inevitável. Um soco no estômago, e o ar começa a poluir-se de sentimentos ruins que eu nem sequer sabia que existiam. Não ligo. Não posso ligar. Tudo parece sem sentido agora. E eu sinto que isso é recíproco. Digo, eu estou deixando essas coisas acontecerem, e tudo então, fica pior, a cada tic-toc do relógio, novas chances vão surgindo. Mas não enxergo na maioria das vezes, pois minhas pálpebras estão embaralhadas, graças à essa solidão e essa dor sem sentido. Solidão repentina essa que confunde minha mente e me faz pensar vazio. Faz-me sonhar com o nada. O meio do nada. Nada. Nada parece mais fazer sentido. Pois é só o nada que existe. Por mais que eu finja que não, minha mente grita: SIM! SIM! SIM! Sim, eu já me acostumei com isso. Então, por esse motivo não temo mais o que ainda está por vir. Porque sei que depois das páginas amassadas, devo aprender a desamassá-las, para que então, eu escreva novas palavras formando assim, novos sentimentos. Sentimentos esses que espero que sejam bons. Que espero que não ofusquem minha visão. Espero que novas páginas surjam, novas páginas possam ser desamassadas. E para que mais que tudo, eu perceba que por mais inútil que tudo isso possa parecer. A dor é só uma exceção, e o que eu sinto é muito mais do que uma simples exceção. É a regra. Por mais que eu negue. A regra é sobretudo, o essencial. Independente do que o resto pode me fazer sentir. Certamente, as coisas ruins não poderão ser anuladas pelas boas. Mas não significa que as boas são minoria. Às vezes são a maioria. E na maioria das vezes, valem muito mais.